segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

What a Wonderful World (?)

Que mundo é esse, no qual crianças escrevem cartas ao Papai Noel pedindo comida?
Que mundo é esse no qual políticos indignos recebem super salários e querem aumentá-los?
Mundo louco no qual pessoas morrem de fome, no qual velhinhos se cobrem com papelão nas noites de frio.
Mundo que mata seus habitantes na guerra, ao mando de homens poderosos.
Homens esses, que mandam seus semelhantes se matarem em nome de um Deus que não quer nenhum sacrifício.
Onde crianças não estudam, trabalham como escravos, e pessoas quando adoecem não tem dinheiro pra comprar remédio.
Mundo em que destruímos nossa natureza, não amamos os outros animais, não respeitamos as diferenças de nossos irmãos.
Mundo esse, no qual eu vivo, enquanto alguns vão cear fartamente no Natal, outros vão continuar revirando os lixos, em busca de uma ceia que ao menos os mantenha vivos.
E já que essas pessoas estão nesse mundo assustador, não seria justo que elas ao menos pudessem se manter vivas?
Mundo, no qual os mesmos políticos que recebem salários monstruosos não estarão satisfeitos com isso, e desviarão verbas de coisas vitais como saúde, educação e alimentação, roubarão de nós, que pagamos impostos, e também dos que não pagam, por que alguns não podem pagar nem o pão de cada dia.
Mas os políticos vão roubar mais um pouco, afinal vão acabar sem punição mesmo.Mas se seus filhos estiverem morrendo de fome em seus braços não roube um litro de leite, nem um pote de margarina, por que irá apodrecer na cadeia, e se eles estiverem doentes não vá até um hospital, pois não será atendido, por falta de leito, ou de médicos.
Mundo no qual as crianças que não forem apadrinhadas no projeto do jornal, receberão uma resposta de satisfação, mas eles não querem uma resposta, não fizeram pergunta alguma querem apenas uma bola, uma boneca, uma roupa, não precisa ser nada eletrônico, até um pião os deixaria felizes, e quem sabe um almoço garantido.
Mundo no qual eu vivo, que eu temo, no qual a violência lidera, e o poder corrompe, no qual vamos destruindo-nos uns aos outros.
O que acontecerá quando não restar povo pra esses políticos governarem? Logo, iremos padecer no esquecimento ao qual fomos condenados, ao desdém daqueles que deveriam proteger a Nação e o Planeta, mas e aí quem eles irão governar? Quem irão extorquir com sua ganância sem fim?
O rugido desse mundo monstro nada mais é que o grito de dor dos doentes, o ronco no estômago dos famintos, as bombas devastando vidas, armas disparando contra seus entes que voltam do trabalho, e o uníssono das metralhadoras cuspindo o ódio do homem, como dragões capitalistas, sentenciando a raça humana, e por fim, a enxurrada de lágrimas derramadas por nossas dolorosas perdas, não materiais, já que não temos nada assim, mas perdas de nossos entes, de nossas vidas, da nossa dignidade e do brilho em nosso olhar.
Nesse mundo, se continuar assim, as crianças vão descobrir cedo demais que Papai Noel não existe e destruído o sonho e a ilusão de uma criança, morre também o futuro adulto que nela habitaria.
Destruindo precocemente a criança, morre também a esperança de um mundo menos carrasco e mais justo, com um abismo menor entre pobres e ricos.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Whatever.

E se um dia eu chego em casa e te vejo
Estás triste e feia, não se cuida, não sorri
Te abraço, você indiferente, repele meu beijo
No fundo dos teus olhos escorre um desprezo em mimNão te quero assim, não ME quero assim
Estou indo, pois nada é tão incerto, nem longe, nem perto
Momentos, olhares, toques, palavras
Tudo mentira boa de viver, sentir, dizer, ouvir e ver
Logo ele vem e leva tudo com ele
Aumentando sua coleção infinita e úmida
Já mofada de tantos adeuses
Então, venho antes dele, pra não ser mais uma peça nada rara
E realmente, tudo gira em torno de dores de cotovelo
Já curadas, mas que insistem em existir
Mudando de assunto
Quando você tira a roupa e teus seios me encaram
E vêm devagar beijar os meus feito quatro bocas sedentas de amor e luxúria
E teus cabelos acariciam minhas digitais de leve
Nada melhor, nada igual, nada pior
Alguém já disse certa vez, escrever é reescrever.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Da Feia Beleza Imperfeita.

Essa pessoas que possuem tamanha beleza e parecem não saber (ou não se importar).

E (quase, no medo de generalizar) todo grande escritor é triste, pensa demais, ouve demais, lê demais, mata o sexo ou o vive de forma tão intensa que morre por ele!! (?). E quase sempre fala dos cinzeiros lotados de bitucas, frágeis metáforas de si mesmo, tão queimado de dores (de amores, e ódios, inventados ou reais), que chega ao fim, logo ali no filtro, o contraditório filtro, cuja função seria impedir que passassem as impurezas, impurezas, essas, que chegam impunes ao pulmão, e fica só o filtro ali, apagado, o toco, a escória. E quase sempre fala dos copos espalhados - pelo - chão - do - apartamento, copos que mesmo lavados cheiram a álcool, do úisque da noite passada, do vinho que engana o tesão (e fortalece - o também), " das bebidas mais fortes", e as agulhas, das dores agudas, da vitrola que rolava os "blues mais lentos", ou da heroína ( sempre me perguntei a quem ela salvou pra se chamar assim) e, assim como ela outros "venenos mais lentos", e as marcas redondas que encardem a mesa, das xícaras com os "cafés mais amargos", de uma ou outra lágrima, que feito tinta em almofada de carimbo, se espalha impiedosa formando imagem nenhuma, por mais que se observe, nem os cavalos brancos raivosos e magoados de Napoleão cavalgam ali, nada, nada que faça sentir de novo alguma coisa.
E quase sempre, se fala em solidão, ou em alguma visão, ou alguma outra coisa qualquer que descamba em algum final louco que só os semelhantes entenderão ou fingirão que entendem, disfarçando assim sua pequenez diante dessa dor que é tão alheia a si e seu mundo cheio de sucos de açaí e banquinhos coloridos e borboletas coladas a parede e um relógio cuco que sempre sai de sua casinha imitando uma foda ao contrário, penetrando o ar de dentro pra fora. E quase sempre tanto narcisismo, supondo subliminarmente, ou descaradamente que é superior (e geralmente o é).E tanto cheiros, e tantos gostos, e tantos corpos espalhados pelas camas em lençóis sujos e molhados de suor, com hálito de "acordei agora e estou de ressaca", cabelos amassados e uma baba seca no canto da boca ou no travesseiro, toda a roupa jogada no chão, mas a meia imponente nos pés, intocada, imaculada, virgem que é, na sua condição de camisinha de pano, de um falo que nunca desvirgina ninguém mais sexy que um tênis all star, com a sola furada, que dá pra sentir o chão, e roçar libidinosamente em sua superfície quase sempre dura e fria, mas também quente no asfalto em um meio dia ensolarado, enfim, tudo tem a ver com sexo, tão Freud, e tão inconscientemente presente (de grego algumas vezes), passado, e futuro. E quase sempre se fala da realidade pq gosta de falar de si, e é mais difícil pq sabe-se que é verdade, e por isso intenso.
Essas pessoas que possuem tamanha beleza e parecem não saber (ou não se importar), gosto delas, gosto do jeito que andam, como se a cabeça pesasse, do desleixar (?) diário, das caras engraçadas e caretas para o mundo, do jeito como se isolam, e de como se autodestroem, enquanto constroem.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Travessia a minha sem fim
Quando chegar soe o alarme
Ouvir bem alto assim
E poder parar a dor enorme

Bebendo sua água, suor
Banhando-me na chuva
A cada passo, distância maior
E minhas mãos atadas em luvas

Se eu chegar e for miragem
E for só a sua imagem
Na paisagem que me engana
O pecado que profana

Na perda da sanidade
Encontrei a loucura
Esqueci minha idade
E o tempo não dura

Se na busca eu perco
E nos perdidos encontro
Por que te cerco
Com braços de outro?

Se digo e não faz sentido
Ouve e não entende
Deixa entrar em seu ouvido
Minha voz, e depois vende.

Rendo-me ao poema que fala
Roupa de renda que veste
E dança linda na sala
Aos olhos de cafajeste

Despe-se, que eu me despeço.
Te escrevi as palavras amontoadas
Leia-as alto, eu te peço.
Pra que sejam falantes e faladas

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Disseram eles no fim, marcas de dor à luz de velas, luz dançante, quase irônica.
Cada lado do rosto iluminado por vez, sombras também dançantes.
Restos de garrafas aqui e ali e copos mal lavados cheirando a álcool, ao lado, cinzeiros lotados, bitucas dobradas, fumadas até o fim. Marcas de dor, nas fotos largadas, nos discos tocados, nas roupas manchadas.
- Pare de filmar! - voz arrastada.
- Não posso, é um conto narrado e filmado. Sofra.
- Achei que seria pra sempre!
- Foi, cada amor tem um prazo de 'pra sempre'.
- O nosso foi tão pequeno.
- Não, os 'pra sempre' se medem na intensidade, não no tempo.
- Então, então o nosso é o mais longo dos 'pra sempre'?!
- Sim. Adeus.
- A.D.E.U.S - Até nunca mais. Os 'nunca mais' se medem como?
- Se medem na dor do 'Adeus', e a dor se mede, a dor se mede no tempo.
- Clic. Desliga isso pra sempre e não liga nunca mais.
Agora que ela atravessava aquelas luzes com o olhar, quase podia entender que era sua vista que estava embaçada, não as janelas, impecavelmente limpas pelo trapezista do andaime.
Não mais se deixou amortecer culpando a terceiros, nem últimos, pôde sentir a leve dor - e incômodo - toda vez que engolia a seco toda verdade ricocheteada no peito.
Percebeu e aceitou que seu destino nunca fora tão alto como adorava supor. Não havia nada pra entender nos tantos livros que lera, as águas que sugara em bocas alheias evaporaram, tão quente era sua sede.
Aqueles alguéns eram realmente tão vermes como ela afirmara pra si mesma e até pra eles? Todos que deixara pra trás em sua ânsia de...de...do que mesmo tivera ânsia?
Ou pensava assim pra diminuir a culpa, que lhe torturava de forma mansa, sem que ela pudesse notar.
De lá de cima olhou ao chão e viu, minúsculos, os vermes todos, e percebeu:

Quando eles olham pra cima me veêm também do tamanho de um verme!

Decidiu solenemente que o era (verme), e foi se juntar aos outros em pedaços, caminhou, olhou, se atirou.
Nunca saberemos se deu adeus ao trapezista no caminho, mas saberemos que se tornou verme graças a ele. Agora estava no chão, morta, e ele, lá em cima, voava, e desembaçava os vidros, pra que outros pudessem notar quão vermes eram.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Talvez se as nuvens cinzas, cruéis desse céu.
Se elas me engolissem
Quem sabe eu poderia chover por aí
Toda essa minha bobagem pálida
Que todo dia se reflete na fumaça do cigarro
E se os pingos incessantes dessa chuva lenta
Se eles me dissolvessem
Quem sabe eu evaporava
Junto com a fumaça pálida do cigarro
E refletiria no céu minhas bobagens nubladas
E se os raios de Sol não esquentassem o chão
Quem sabe eu andaria descalça por aí
Cantarolando declarações desesperadas
Tentando não pisar em falso
De mãos dadas com um nada abstrato
E se você se materializasse
A dúvida traiçoeira voava daqui
Daí eu não afundava minhas idéias e corpo
No movediço gelado desse chão desconhecido