Eu falo é dessa dor que assola sem motivos, ou melhor, com motivos, mas motivo tão, tão, tão, não se sabe que tipo de motivo. Sei que fiquei, digo, estou triste, demais. Nenhum número pra ligar, uma coisa dentro, como se tivessem puxando uma corda pela minha boca, e nessa corda viesse grudado tudo que me é vital.
Uma certeza, uma dúvida, um talvez, uma vez tal que não sei, ouço essas músicas, leio essas coisas do Caio, sempre, e vejo esses filmes, porque a dor só é verdadeira quando você abre a ferida e deixa ela sangrar até que estanque, por que se é pra sentir angústia que seja a pior das angústias, que beire o suicídio, mas rezo pra que eu jamais tenha coragem de ir até o fim, como boa covarde. Mas se um dia eu tiver coragem, saibam que foi covardia, no fundo.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
O Especismo e suas vítimas. Algozes de Uma Suposta Supremacia Racial!
Eu vejo tanta maldade no mundo. Maldade de todos os tipos, mas o que mais me machuca é o que fazemos com os animais. Especistas que somos, nos esquecemos que não somos mais do que um espécie na escala das espécies que conseguiu dominar as outras. Do alto de nosso privilégio de seres humanos impomos a eles crueldade inenarráveis, batemos, matamos, ateamos fogo, afogamos, chutamos, apedrejamos, envenenamos, atropelamos, abandonamos, sentimos dó mas nada fazemos para ajudar. São animais apenas. Fazemos vista grossa, enquanto eles apenas querem uma chance de viver dignamente, já que não pediram para nascer e não conseguem entender porque tanta coisa ruim lhes acontece, ora, eles fizeram alguma coisa má para merecer tudo isso? Passam frio, fome, dor, medo, são comercializados feito mercadorias, são adotados feito brinquedos e quando crescem demais são abandonados. Quando nasce um bebê humano e o médico diz que eles trazem doença, toxoplasmose, asma, alergias, eles são novamente abandonados, porque são apenas animais. São eles os detentores do mais puro amor, a mais pura lealdade e gratidão, não nos pedem nada em troca, nunca nos puxarão o tapete, nunca farão intrigas e nos roubarão, nunca matarão para roubar e sustentar vícios, eles só precisam de comida, água, carinho, um lugar quente onde dormir e do seu amor, eles querem que você brinque com eles, porque desde o minuto que você sai de casa pra trabalhar eles sofrerão aguardando seu retorno, então eles te cheirarão e pularão em você, te lamberão, tirarão toda a carga negativa do seu dia, irão transferir todo esse peso para seus corpinhos leais, e você paga com abandono, desdém, especismo.
Eles choram, eles sofrem, o olhar que eles sustentam é o mais triste que você pode imaginar, eles estão vendo os horrores do mundo assim como você, só que eles não conseguem entender o que está acontecendo, então se assustam enquanto você comemora o Reweillon, o Natal, o título do seu time, ou qualquer igreja ou santo idiota. Eles sofrem com os mendigos nas noites de frio, mas nem por isso levantam do lado de seu dono, ficam com ele até o fim. Ele sente seu cheiro a uma distância absurda, te diverte, te salva, embriaga seus dias de amor, e você paga com ódio ou omissão, porque você é humano. Está mais do que na hora de você aprender sobre lealdade, compreensão e amor na sua forma mais pura e completa.
Eles choram, eles sofrem, o olhar que eles sustentam é o mais triste que você pode imaginar, eles estão vendo os horrores do mundo assim como você, só que eles não conseguem entender o que está acontecendo, então se assustam enquanto você comemora o Reweillon, o Natal, o título do seu time, ou qualquer igreja ou santo idiota. Eles sofrem com os mendigos nas noites de frio, mas nem por isso levantam do lado de seu dono, ficam com ele até o fim. Ele sente seu cheiro a uma distância absurda, te diverte, te salva, embriaga seus dias de amor, e você paga com ódio ou omissão, porque você é humano. Está mais do que na hora de você aprender sobre lealdade, compreensão e amor na sua forma mais pura e completa.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Bilhete.
Abrira a porta e entrara, sentara. E agora?
- Agora ligue a TV, oras.
Mas não quisera ver nada na T.V, então se deitara.
Sentia-se com aquela vontade de se espreguiçar que parecia nunca ser suficiente, as gengivas do siso estavam inchadas, e a garganta coçava e arranhava, apesar disso alguma coisa demente dentro de si implorava por um cigarro e alguma bebida inebriante.
Desejou sair pela rua sem rumo e o fez, mas a certa altura tomou consciência que nem andar sem rumo sabia, pois sempre se guiava pelo óbvio, olhava os carros pra atravessar, evitava ruas escuras e vazias, quase tomara o caminho de sua antiga casa, talvez pelo costume, pelo cheiro das pessoas que pode ter ficado no ar, ou pela morbidez e um desejo patético de reviver o passado.
Talvez então, se sentasse ali na guia e chorasse ou fixasse o olhar em algum ponto do asfalto quem sabe encontraria o que buscava, mas poderiam achar que enlouquecera, não que se importasse, nunca se importara, mas algum cão vadio poderia vir e mijar nele, não que não fosse digno de uma mijada nas barras da calça, e até seria agradável, algo quente, vivo e molhado como há muito não sentia, pra contrastar com aquele corpo ressecado e ressequido, aquele olhar frio e reto, feito tela plana de uma TV que só passa horário político, aquelas mãos crispadas que corriam ensandecidas pelo bolso que ainda não rasgara da mochila velha, sempre em busca de um cigarro, ou até mesmo uma ponta, que tivera que apagar pela chegada do ônibus, e então ao acender aquele resto parecia que seus olhos brilhavam, no entanto eram lágrimas, inexplicáveis lágrimas de uma última tragada cuja fumaça se iluminaria pela luz fraca e alaranjada do poste.
Algumas moedas e um passe de ônibus, vendeu o passe, e no mesmo bar pediu uma dose de conhaque e um copo de vinho, assim mesmo, sem nenhum requinte, sem entender nada de combinação ou paladares finos, queria era a desgraça da ressaca de sarjeta, a desgraça dos que sentem demais e tentam demais entender o que tanto sentem. Virou a dose de conhaque e fez uma careta, como se segurasse o vômito, sentiu aquele calor em suas entranhas, como se uma mão de lavas lhe acarinhasse as tripas, com sôfregas e violentas lambidas, diabólicas e voluptuosas, então lhe veio à mente.
Soube de repente que quando sentia o lábio dela em seus lábios era aquela mesma sensação, por isso buscara sentir aquilo de forma superficial, como um gole nojento de bebida gelada, mas que lhe ressuscitava a lembrança, a sensação, então lembrou-se palavra por palavra do poema que lhe havia feito quando ainda era humano, quando ainda sabia sentir, e escreveu-o num guardanapo do bar, que grudou no suor do copo de vinho e ali derreteu sozinho, bem como seu autor:
"Eu pareço saber que teus lábios e tua língua irão me queimar, mas busco desse fogo seja inverno, seja verão. De tanto que me queimam e me penetram as células, parecem amortecer, cada milímetro de pele minha, que molhada de minha e sua saliva, evapora, e chove de novo em forma dos teus dedos em meus cabelos. Te amo. "
Bebera mais umas doses, saíra do bar. Chovia, cambaleou um pouco até a praça onde passavam os ônibus, enfiou a mão no bolso, lembrou que vendeu o passe. Tanto faz, iria embora andando.
- Agora ligue a TV, oras.
Mas não quisera ver nada na T.V, então se deitara.
Sentia-se com aquela vontade de se espreguiçar que parecia nunca ser suficiente, as gengivas do siso estavam inchadas, e a garganta coçava e arranhava, apesar disso alguma coisa demente dentro de si implorava por um cigarro e alguma bebida inebriante.
Desejou sair pela rua sem rumo e o fez, mas a certa altura tomou consciência que nem andar sem rumo sabia, pois sempre se guiava pelo óbvio, olhava os carros pra atravessar, evitava ruas escuras e vazias, quase tomara o caminho de sua antiga casa, talvez pelo costume, pelo cheiro das pessoas que pode ter ficado no ar, ou pela morbidez e um desejo patético de reviver o passado.
Talvez então, se sentasse ali na guia e chorasse ou fixasse o olhar em algum ponto do asfalto quem sabe encontraria o que buscava, mas poderiam achar que enlouquecera, não que se importasse, nunca se importara, mas algum cão vadio poderia vir e mijar nele, não que não fosse digno de uma mijada nas barras da calça, e até seria agradável, algo quente, vivo e molhado como há muito não sentia, pra contrastar com aquele corpo ressecado e ressequido, aquele olhar frio e reto, feito tela plana de uma TV que só passa horário político, aquelas mãos crispadas que corriam ensandecidas pelo bolso que ainda não rasgara da mochila velha, sempre em busca de um cigarro, ou até mesmo uma ponta, que tivera que apagar pela chegada do ônibus, e então ao acender aquele resto parecia que seus olhos brilhavam, no entanto eram lágrimas, inexplicáveis lágrimas de uma última tragada cuja fumaça se iluminaria pela luz fraca e alaranjada do poste.
Algumas moedas e um passe de ônibus, vendeu o passe, e no mesmo bar pediu uma dose de conhaque e um copo de vinho, assim mesmo, sem nenhum requinte, sem entender nada de combinação ou paladares finos, queria era a desgraça da ressaca de sarjeta, a desgraça dos que sentem demais e tentam demais entender o que tanto sentem. Virou a dose de conhaque e fez uma careta, como se segurasse o vômito, sentiu aquele calor em suas entranhas, como se uma mão de lavas lhe acarinhasse as tripas, com sôfregas e violentas lambidas, diabólicas e voluptuosas, então lhe veio à mente.
Soube de repente que quando sentia o lábio dela em seus lábios era aquela mesma sensação, por isso buscara sentir aquilo de forma superficial, como um gole nojento de bebida gelada, mas que lhe ressuscitava a lembrança, a sensação, então lembrou-se palavra por palavra do poema que lhe havia feito quando ainda era humano, quando ainda sabia sentir, e escreveu-o num guardanapo do bar, que grudou no suor do copo de vinho e ali derreteu sozinho, bem como seu autor:
"Eu pareço saber que teus lábios e tua língua irão me queimar, mas busco desse fogo seja inverno, seja verão. De tanto que me queimam e me penetram as células, parecem amortecer, cada milímetro de pele minha, que molhada de minha e sua saliva, evapora, e chove de novo em forma dos teus dedos em meus cabelos. Te amo. "
Bebera mais umas doses, saíra do bar. Chovia, cambaleou um pouco até a praça onde passavam os ônibus, enfiou a mão no bolso, lembrou que vendeu o passe. Tanto faz, iria embora andando.
sábado, 23 de julho de 2011
Amy Winehouse
Uma pobre alma errante, que largava pedaços de si a cada passo. Uma menina de 27 anos agonizando em frente as câmeras sedentas dos paparazzi-máquinas que perseguiram na sem quaisquer resquícios de humanidade ou compaixão, eles apenas ansiavam pelo furo de reportagem. O furo era um par de olhos gritando em silêncio um desespero que não cabia em palavras, um rosto assustado com a vilania desse nosso mundo, uma ressaca de quem tentava anestesiar suas dores, seus receios, seus fracos como ser humano, não como super star. Ninguém via isso, queriam mais e mais ver suas fotos, sua linha de evolução no mundo das drogas. Os paparazzi e a imprensa sensacionalista e insaciável mataram a Amy, mas saiba que foi sua culpa. Sim, VOCÊ matou a Amy, toda vez que riu das fotos dela em estados deploráveis, toda vez que riu dela esquecendo as letras das músicas, toda vez que a vaiou, toda vez que deu ibope a esses assassinos midiáticos você os impulsionou a conseguir mais material e a sugá-la mais e mais, e você também matou Michael Jackson e muitos outros. Essa pobre rica garotinha era extremamente tímida, montava um personagem e tentava compartilhar com o mundo um pouco de sua genialidade, e o mundo lhe agradeceu com sua ânsia infinita de sangue novo, nós, vampiros de almas, sugamos mais uma. Extremamente sensível, como quase todo grande gênio, a frente de sua época, com uma voz que era como batida de frutas, continha pedacinhos de alma misturados a algo que embriagava, uma menina linda que ao não poder mais reagir ao grande monstro do guarda roupa buscou sublimação e a encontrou nas drogas, as drogas não a mataram só anestesiaram as feridas que você fez nela. Agora que você já a matou, você faz piadas, porque a morte de um semelhante se tornou motivo de piada é o que não consigo entender. Ela estava assustada com isso também, o ser humano deixou de sentir tudo que é bom, já não ama, não compreende, não aceita. Você matou o que a garotinha tinha de melhor a te oferecer, calou sua voz, suas palavras efervescentes, arrancou seu coração gentil, roubou o brilho dos seus olhos, arrancou em cada dente que ia embora, um pouco da verdade em seu sorriso. Amy se foi hoje, mas ela já estava morta há tempos. O mundo deixou de ser um lugar para seres humanos, se você sente, você é fraco, aqui só tem lugar para os tratores sociais. Parabéns pessoas ruins.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
What a Wonderful World II
Um homem sentado imóvel no terminal em frente ao ponto do Expresso, sacolinha com pertences caída ao lado das mãos inertes. Torrentes de gente indo e vindo, alguns olhavam e continuavam, outros desviavam o caminho, e outros sequer olhavam. Era um lixo apenas, um empecilho trancando a passagem dessa massa INSANA de pessoas, para as quais seus semelhantes passam despercebidos com uma facilidade que assusta aos mais sensíveis!!
Desci, tentei falar com o senhor, ele estava vivo, mas não conseguia falar, comprei uma garrafinha de água, mas ele não reagiu, chamei os guardas, nada.
Prestei atenção nos comentários:
- Ah, tá caindo de bêbado, mamado, sem vergonha, tem que largar aí.
- É vagabundo, não perca seu tempo fia!
Eu penso: Ele estava imóvel, era um senhor, cabelos grisalhos, PARECIA NÃO RESPIRAR, qual o problema das pessoas?? Saio para chamar os guardas de novo, ao voltar tem uma senhora, cutucando a cabeça dele e tentando lhe entregar um panfleto de Igreja: "Procure Deus", ou algo do tipo. Eu cheguei e pedi a ela que se afastasse, que ele precisava de ajuda de um médico não de panfletagem, que parasse com aquela sandice absurda. Ora, o homem sequer reagiu a água, ela vai querer panfletar?? Então ela me pediu: - Coloque no bolso dele então, eu acredito que deus vai salvá-lo. PORRA, MAS QUE MERDA É ESSA? Os guardas resolveram vir e levantaram o senhor, ele estava mesmo bêbado, exalando a álcool, os olhos vermelhos banhados em lágrimas. E DAÍ? Alguém sabe o motivo que o fez chegar a tal ponto? Uma dentre todas aquelas pessoas que deram risada quando ele foi erguido está em um patamar de santidade tão elevado que as permite tripudiar em cima dos dramas alheios?? Quem somos nós para julgar quem deve ser salvo?? Quem pensa assim está impregnado demais dos ensinamentos tortuosos da bíblia que escolhia os que viveriam para sempre e os que iriam queimar no inferno. Ele estava bêbado sim, mas ele poderia estar tendo um ataque, ou qualquer outro problema. Acorda pessoal, o mundo não pode ser assim, não podemos transformar nossos semelhantes em seres invisíveis, não podemos atravessar nossos dias feito lince negras, deixando de sentir qualquer coisa que aconteça ao nosso redor. Eu tinha NOJO de vocês, agora eu tenho MEDO de vocês!!
Desci, tentei falar com o senhor, ele estava vivo, mas não conseguia falar, comprei uma garrafinha de água, mas ele não reagiu, chamei os guardas, nada.
Prestei atenção nos comentários:
- Ah, tá caindo de bêbado, mamado, sem vergonha, tem que largar aí.
- É vagabundo, não perca seu tempo fia!
Eu penso: Ele estava imóvel, era um senhor, cabelos grisalhos, PARECIA NÃO RESPIRAR, qual o problema das pessoas?? Saio para chamar os guardas de novo, ao voltar tem uma senhora, cutucando a cabeça dele e tentando lhe entregar um panfleto de Igreja: "Procure Deus", ou algo do tipo. Eu cheguei e pedi a ela que se afastasse, que ele precisava de ajuda de um médico não de panfletagem, que parasse com aquela sandice absurda. Ora, o homem sequer reagiu a água, ela vai querer panfletar?? Então ela me pediu: - Coloque no bolso dele então, eu acredito que deus vai salvá-lo. PORRA, MAS QUE MERDA É ESSA? Os guardas resolveram vir e levantaram o senhor, ele estava mesmo bêbado, exalando a álcool, os olhos vermelhos banhados em lágrimas. E DAÍ? Alguém sabe o motivo que o fez chegar a tal ponto? Uma dentre todas aquelas pessoas que deram risada quando ele foi erguido está em um patamar de santidade tão elevado que as permite tripudiar em cima dos dramas alheios?? Quem somos nós para julgar quem deve ser salvo?? Quem pensa assim está impregnado demais dos ensinamentos tortuosos da bíblia que escolhia os que viveriam para sempre e os que iriam queimar no inferno. Ele estava bêbado sim, mas ele poderia estar tendo um ataque, ou qualquer outro problema. Acorda pessoal, o mundo não pode ser assim, não podemos transformar nossos semelhantes em seres invisíveis, não podemos atravessar nossos dias feito lince negras, deixando de sentir qualquer coisa que aconteça ao nosso redor. Eu tinha NOJO de vocês, agora eu tenho MEDO de vocês!!
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Divagações apenas.
Estranho como o tempo nos traz coragem, a gente realiza sonhos que antes pareciam pura audácia. Eu hoje tenho o meu tão sonhado moicano, há alguns anos, uns oito, eu pensava em ter, mas ao mesmo tempo achava que era uma utopia - absurdo raspar a cabeça, heresia pura, eu estaria com um pé dentro do manicômio se o fizesse - isso segundo eu mesma. Dizia-me em voz alta, sozinha: - Pare com isso, dois piercings na sombrancelha e você já estará muito hardcore, fodona.- Fui e fiz, os piercings. O tempo passou, levou muitas coisas, me ensinou muitas outras, vi que muito do que eu tinha como verdades absolutas eram puro capricho de adolescente, a navalha do tempo corta rente nossos sonhos sim, no entanto, em contrapartida nos traz uma nova percepção do que nos realizaria dentro de uma realidade palpável, talvez os sonhos bobos de outrora fossem ideais (literalmente) para aquele momento, para que cultivássemos dentro de nós o espírito jovial de luta e esperança, de força e garra, de ser feliz sem fazer esforço, mas é fato que ao nos tornarmos adultos vemos que aqueles sonhos todos, por mais que tenham sido parte fundamental da nossa formação de caráter, não nos satisfaria hoje. Ser humano, agridoce ser humano, desejoso de tanto e no entanto tão pouco disposto a fazer muito, ou mesmo pouco, complexo emaranhado de células que precisa estar sempre mudando seus sonhos ou então se deixa mofar. Sonhos, veja bem, é eufemismo pra ferramenta do destino, ele disfarça o que quer de cada um de nós fazendo com que desejemos exatamente aquilo. Mas finalmente, o moicano - divagações - eu sempre sofri desse mal, raramente consigo ir direto ao ponto:
"Divago devagar
Vagando nesse lugar
De vagas de vaga-lumes
Vagabundeando o vagalhão
Preso nesse vagão
Inundado de vagância
Não me inuma, não me inunda.
Inusitado e inútil
Vou ver o luar
As estrelas a piscar
Talvez o mar, a maré.
E andar a pé
Até raiar o Sol, o dia.
Numa muda melodia
Que me acorda e anuncia
Me transborda e me vicia
E nada me lembra você
Por que nada me faz te esquecer
Como lembrar o inesquecível?
Te esquecer pra depois lembrar é impossível"
Voltando ao maldito moicano, e a bendita (?) navalha do tempo, navalha essa casada com a lâmina do destino, mas paremos por aqui ou me perderei novamente. Tal navalha veio e deixou meu couro cabeludo a mostra, e ele me mostrou que nem todos os sonhos de adolescente eram bobos, me realizou por completo, adoro passar a mão na cabeça e sentir o nada, quando eu o erguia (agora não dá mais, tá muito grande) me sentia o ser humano mais feliz e livre do mundo. Tem gente que critica, MUITA gente critica, acha feio (moicano nunca quis ser bonito e muito menos moda de pagodeiro e ou jogadorzinho de futebol, ele carrega toda uma história de ideologia e de DIY), me falam eu deixar crescer o cabelo e largar mão de ser louca, EU GOSTO do meu cabelo assim e quero continuar a tê-lo por algum tempo, até que eu perceba que a fase se foi, só não quero deixar passar sem ter aproveitado ao máximo.
Às vezes eu penso: - Se eu pudesse voltar a ser adolescente, uns oito anos atrás, com a mentalidade que eu tenho hoje, quanta coisa eu já não teria feito, não ficaria na teoria apenas, iria à luta, pois estaria ali a vontade, a raça do jovem inconsequente junto da maturidade de uma jovem adulta que já sacou qualé que é. Passam-se alguns minutos dessa nostalgia, e eu percebo: - Whatever, talvez eu não tivesse feito nada mesmo, ainda tenho garra mas perdi um tanto da ilusão, e ilusão é perigo, mas também costuma ser um trunfo. Eu tinha tudo pra gostar de sertanejo, funk, pagode, ou ser crente e dona de casa, ou ter uma penca de ranhentos na barra da minha calça. Veja bem, não por consequência de minha educação, a minha mãe sempre foi uma senhora guerreira ( e digo senhora no duplo sentido mesmo), fez de tudo para formar meu caráter da forma mais impecável que ela pôde, me ensinou a ler com cinco anos (o sonho dela sempre foi ser professora), com os gibizinhos da Turma da Mônica e de Walt Disney, depois eu aprendi a escrever e ela me comprava livrinhos de palavra cruzada, e enfim - Foco Vanessa- Disse que tinha tudo pra ter sido uma daquelas coisas porque, pelo fato da religião de minha mãe ser um tanto quanto podadora de qualquer acesso a informação, e pelo fato dela acreditar piamente em tudo o que o homem lá na frente diz, eu não tive TV um bom tempo, e fui ter acesso a computador somente aos 19 anos, acredite. Música que não fossem os hinos de tal Igreja eram tidas como músicas mundanas, "do adversário" - a única música do adversário pra mim é o hino de outros times - , fui ouvir rock pela primeira vez aos 14 anos, quando encontrei um CD do Charlie Brown Jr, (pode rir)e o ouvi deslumbrada num gravadorzinho que minha mãe tinha ganho da AVON, desde aí nunca mais parei de procurar bandas e cantores do meu gosto, então veio a paixão por filmes, os livros sempre foram uma paixão, desde sempre li muito, mas a leitura, o gosto, amadureceu. Falei tanto sobre mim só pra chegar ao ponto principal, porque eu falo tanto sobre ideologias, comportamento reacionário, porque eu reclamo tanto e questiono quase tudo? Creio que essa minha bagagem cultural colaborou, ou melhor dizendo, foi responsável pela minha visão crítica da sociedade e do sistema, e do ser humano de forma geral. Por isso tanto assunto nesse sentido, porque por mais que "no man is no island", se for pra falar de sociedade, seja antiga ou contemporânea, política, revolução, meio ambiente, ou qualquer assunto pertinente ao ser humano, tem que se falar no indivíduo, seu caráter deve ser destrinchado. Ninguém que fale com propriedade sobre assuntos polêmicos pode ser isento de vivência mínima em todas as questões que envolvem tais assuntos, nem mesmo um doutorado lhe dá tanto direito tanto quanto ter estado na pele, seja do lobo ou do cordeiro.
"Divago devagar
Vagando nesse lugar
De vagas de vaga-lumes
Vagabundeando o vagalhão
Preso nesse vagão
Inundado de vagância
Não me inuma, não me inunda.
Inusitado e inútil
Vou ver o luar
As estrelas a piscar
Talvez o mar, a maré.
E andar a pé
Até raiar o Sol, o dia.
Numa muda melodia
Que me acorda e anuncia
Me transborda e me vicia
E nada me lembra você
Por que nada me faz te esquecer
Como lembrar o inesquecível?
Te esquecer pra depois lembrar é impossível"
Voltando ao maldito moicano, e a bendita (?) navalha do tempo, navalha essa casada com a lâmina do destino, mas paremos por aqui ou me perderei novamente. Tal navalha veio e deixou meu couro cabeludo a mostra, e ele me mostrou que nem todos os sonhos de adolescente eram bobos, me realizou por completo, adoro passar a mão na cabeça e sentir o nada, quando eu o erguia (agora não dá mais, tá muito grande) me sentia o ser humano mais feliz e livre do mundo. Tem gente que critica, MUITA gente critica, acha feio (moicano nunca quis ser bonito e muito menos moda de pagodeiro e ou jogadorzinho de futebol, ele carrega toda uma história de ideologia e de DIY), me falam eu deixar crescer o cabelo e largar mão de ser louca, EU GOSTO do meu cabelo assim e quero continuar a tê-lo por algum tempo, até que eu perceba que a fase se foi, só não quero deixar passar sem ter aproveitado ao máximo.
Às vezes eu penso: - Se eu pudesse voltar a ser adolescente, uns oito anos atrás, com a mentalidade que eu tenho hoje, quanta coisa eu já não teria feito, não ficaria na teoria apenas, iria à luta, pois estaria ali a vontade, a raça do jovem inconsequente junto da maturidade de uma jovem adulta que já sacou qualé que é. Passam-se alguns minutos dessa nostalgia, e eu percebo: - Whatever, talvez eu não tivesse feito nada mesmo, ainda tenho garra mas perdi um tanto da ilusão, e ilusão é perigo, mas também costuma ser um trunfo. Eu tinha tudo pra gostar de sertanejo, funk, pagode, ou ser crente e dona de casa, ou ter uma penca de ranhentos na barra da minha calça. Veja bem, não por consequência de minha educação, a minha mãe sempre foi uma senhora guerreira ( e digo senhora no duplo sentido mesmo), fez de tudo para formar meu caráter da forma mais impecável que ela pôde, me ensinou a ler com cinco anos (o sonho dela sempre foi ser professora), com os gibizinhos da Turma da Mônica e de Walt Disney, depois eu aprendi a escrever e ela me comprava livrinhos de palavra cruzada, e enfim - Foco Vanessa- Disse que tinha tudo pra ter sido uma daquelas coisas porque, pelo fato da religião de minha mãe ser um tanto quanto podadora de qualquer acesso a informação, e pelo fato dela acreditar piamente em tudo o que o homem lá na frente diz, eu não tive TV um bom tempo, e fui ter acesso a computador somente aos 19 anos, acredite. Música que não fossem os hinos de tal Igreja eram tidas como músicas mundanas, "do adversário" - a única música do adversário pra mim é o hino de outros times - , fui ouvir rock pela primeira vez aos 14 anos, quando encontrei um CD do Charlie Brown Jr, (pode rir)e o ouvi deslumbrada num gravadorzinho que minha mãe tinha ganho da AVON, desde aí nunca mais parei de procurar bandas e cantores do meu gosto, então veio a paixão por filmes, os livros sempre foram uma paixão, desde sempre li muito, mas a leitura, o gosto, amadureceu. Falei tanto sobre mim só pra chegar ao ponto principal, porque eu falo tanto sobre ideologias, comportamento reacionário, porque eu reclamo tanto e questiono quase tudo? Creio que essa minha bagagem cultural colaborou, ou melhor dizendo, foi responsável pela minha visão crítica da sociedade e do sistema, e do ser humano de forma geral. Por isso tanto assunto nesse sentido, porque por mais que "no man is no island", se for pra falar de sociedade, seja antiga ou contemporânea, política, revolução, meio ambiente, ou qualquer assunto pertinente ao ser humano, tem que se falar no indivíduo, seu caráter deve ser destrinchado. Ninguém que fale com propriedade sobre assuntos polêmicos pode ser isento de vivência mínima em todas as questões que envolvem tais assuntos, nem mesmo um doutorado lhe dá tanto direito tanto quanto ter estado na pele, seja do lobo ou do cordeiro.
terça-feira, 17 de maio de 2011
I'm on my shit.
Tenho estado precisando me sentir útil. Querendo deixar de lado os discursos e arregaçar as mangas pra variar. Tenho perdido o sono na hora de dormir, tenho sentido sono o dia todo enquanto trabalho. Tenho trabalhado em algo que não me completa, não é o que eu gosto de fazer. Tenho desperdiçado potencial que sem falsa modéstia eu possuo. Tenho sido humana. Tenho tido insights e ideias maravilhosos durante minhas insônias e viradas na cama e tenho pretendido pô-los em prática, sem praticamente nenhuma exceção. Devo acabar os discursos? Não, devo complementá-los com alguns resultados, os quais irei buscar sem falta e já com ânsia de tocá-los. Preciso de ajuda pra alguns deles, preciso que pessoas abracem a(s) causa(s) comigo. Preciso deixar de lado essa coisa sonsa de ouvir desaforos de alguma pessoas e deixar que me magoem, preciso direcionar minha sensibilidade pra algo útil. Fazer algo na vida que seja interessante pra mais alguém além de mim e ao mesmo tempo começar a fazer algo que me satisfaça também. E vou fazer. Tenho me sentido triste com o mundo, com o rumo que as coisas tem tomado (desde sempre), com a falta de compreensão e com a indiferença de algumas pessoas. Tenho me revoltado bastante ultimamente com o que vejo e leio, e tenho chorado muito por causa disso. Queria que fosse mais fácil pra mim levar tudo na brincadeira, não sentir tanto, não levar essa dor no peito e essa sensação de mãos atadas. Queria fazer piadas de tudo e cagar e andar e pouco me foder, mas não consigo, isso está acabando comigo, queria que esse nó na minha garganta se desatasse e nunca mais se refizesse, mas então, não seria mais eu, seria outro qualquer, e não posso me separar de mim. Só queria poder voltar a dormir acreditando piamente que as dores do mundo e das pessoas não são minha culpa, que eu não faço parte disso tudo. Frequentemente tenho sentido vontade de gritar, de tomar um porre de vinho como eu fazia antigamente, e vomitar tudo, e achar que estou prestes a morrer. Tenho sentido raiva de mim, e tem um negócio na minha cabeça, não no hardware, no software mesmo, na minha consciência, um negócio lá dentro que eu não estou conseguindo configurar, eu não consigo acessar esse lugar por mais que me concentre e medite nele. É um vazio que dói diferente, dói sem doer, uma aflição inquietante, e esse lugar fica mandando mensagens pro meu peito (de novo o software), dizendo pra ele ficar pesado e denso feito um furação de concreto, que arranca do chão minha capacidade de raciocínio, só dá vontade de chorar e chorar, e fazer merda, ao mesmo tempo que quero mudar isso tudo de forma positiva sinto também vontade de fazer merda e acabar tudo de uma vez. Talvez seja um bug passageiro, mas eu tenho medo, MUITO MEDO de ser pra sempre enquanto eu estiver viva, e que talvez eu não tenha força pra assumir esse meu lado, essa minha angústia. Eu realmente tenho tido respostas, mas com elas surgem mais dúvidas, e mais medos, e mais covardias, não tenho forças pra correr atrás dos meus sonhos, sequer sei se o que eu acho que é meu sonho, realmente o é. E se for tudo engano? E se eu for isso mesmo? Limpar fraldas pra sempre, tirar daqui pra pagar ali, abrir mão de tudo o que eu acreditava, e dar o cu para aquilo tudo que eu sempre critiquei, e sempre achei que estava errado. E se for isso mesmo, ser criança, inocente, feliz, depois adolescente, inconsequente, dramático, cheio de ideologias e utopias (até então não sabidas como tal), depois jovem adulto e achando ainda tudo lindo, e em seguida ir envelhecendo na merda, sentindo problemas no joelho, dores na coluna, primeiros sintomas de estresse, primeira fluoxetina, responsabilidades aos montes, amigos indo embora, mesmo morando perto, fotos ficando desbotadas, músicas perdendo o sentido, flores arrancadas secas dentro de um caderno, que se desfarelam com o mínimo toque, olhos que já derrubaram todo o brilho tentando iluminar nossa sanidade pelo caminho louco. Tenho pensado, pesquisado, lido, ouvido, escrito, tenho existido, existido apenas, o contrário do que eu sempre quis. A ignorância deve mesmo ser uma dádiva. Tenho sentido isso tudo intensamente, e tudo o que eu mais queria fazer era enfiar a mão no peito e arrancar essas coisas, mas não consigo, não dá. Vou ter que assumir isso e fazer algo a respeito. O QUE?? O que pode ser feito a respeito?? Aqui entram as ideias, vou tentar. Espero que só as boas.
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