quarta-feira, 25 de julho de 2012

Mistura Incrédula.


Só resta agora uma mistura incrédula
Minha ânsia e humor negro
Sem moedas nem cédulas
Mentes, mãos e minha boca vermelha.
Idéias nojentas, toques macios e palavras tingidas.
Fim de festa, gestos confusos.
Sobrou apenas o resto de feridas
Sentimentos dormindo num papel amassado
Num beco depois da garrafa vazia
Uma tontura solitária na multidão tardia
Tudo tão confuso e nublado, sem rima.
Uma melodia grita meu nome
Voz macia, redonda, pornográfica.
Me acaricia na sua indecência
É o que resta da noite cheia
Uma esmola de ilusões
Amanhecer como agora?
Com vergonha do Sol e preguiça do dia
Meu sorriso não vem, engulo um soluço.
De choro ou embriaguez?
Se me embriago, choro, se choro me embriago.
Vou embora beijar minhas mentiras
Ou fico até minha verdade chegar?
Se não há realidade, fico aqui.
O gosto amargo do teu cheiro
Em minha boca o dia inteiro
Em volta de mim corpos rastejam
Minha vista escurece, a mente roda.
Você lava meus lábios com tua saliva
O dia voou, e a noite voltou.
Só resta agora uma mistura incrédula

segunda-feira, 25 de junho de 2012


Qual o sujeito da oração:
-O sujeito é predicado?
Sujeito que faz oração
E depois faz pecado?

Deleite de trocadilhos
Trocados no troco do leite
Cafezinho com pão
Com a fé, vinho e pão

Sem sentir sentimento
Nem um sente, nem outro
Se ressente em pensamento
E se derrete em desencontro

Ouvindo canções
Escreveu poemas, poesias.
Dedicados às emoções
Em meio ao mar, maresias.

Inspiração musical
De um anjo bom ou mal (aqui cabe trocadilho com MAL, anjo mal feito, mal acabado, caído, whatever)
De um amor que odeia ou ama
Vive na veia e na alma

Poeta tolo, pobre de ti.
Inspira-se de repente
Escreve pra sempre
Palavras incontinenti

Amante errante
Entregou a carne viva do peito
Avante, andante.
Levanta e dá teu jeito

Esquece o amor bandido
Assassina-o de seu interior
Segue o rumo interrompido
Tira o espinho da flor

terça-feira, 15 de maio de 2012

Sorriso de Seda.


Estava ali parado com aquele sorriso de seda
Macio e fácil de se desfazer, derreteria com as lágrimas que desbravavam seu rosto, que ele secava, adiando esse dilúvio de insorrisos que lhe reservaram tão cruelmente.
Teria sido melhor não saber, pois assim não era culpa dele, ele tentara, dizia a si mesmo. Mas agora que sabe, entende que o fracasso todo deve-se a sua covardia. E agora ele perdeu aquele gosto tolo de ignorância ou disfarce, ele sorria, fraca e timidamente, com um brilho grato no olhar, grato, que se ele não soubesse iria ficar pra sempre na busca, acreditando em suas mentiras auto-contadas, inventadas cuidadosamente de forma a colorir ainda mais fortemente sua aquarela de desamores imaginários.
Agora ele estava prestes a abandonar a sua autopiedade inconsciente, conseguiria seguir, assim como todos seguem e saberia quando valesse a pena jogar um sorriso marginal qualquer em qualquer outro olhar. 

sábado, 12 de maio de 2012

Jeito Torto.


Esse eterno amar errado
Essa ânsia de ninguém ao lado
Esse não aceitar
Esse eterno hesitar

Quando te amo e te faço mal
Quando te chamo eu faço mal
Esse jeito torto de amar
Esse peito morto de amar

Esse olhar que fala
Essa voz que cala
Essas mãos que não acariciam
Os seus vãos que me viciam

O meu demonstrar que nada mostra
O meu agir que só se engana
Meu neutro que se prostra
Meu partir de mente insana

Meu amar que só te mata
Te falando, te fazendo bobeira.
Esse meu mar de prata
Te faltando, te sabendo inteira.

Te amando com esse cheiro
Te ignorando por inteiro
Meu jeito torto de amar
Pensando acertar

Esse meu prazer egoísta
E minha atitude infantil
Meio fascista, meio nazista.
Sutilmente vil

Me faz saber te amar certo
Me faz te querer por perto
Sem te privar de amor
Sem te causar dor

Por que te venero
E te adoro
Mas não sei se regenero
Ou se pioro

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Palavras Marginais.


Apenas isso de trepar, de entrar no outro.
De gozar forte e abundantemente
Apenas isso de deitar e acender um cigarro
Sujando o filtro com o gosto do seu corpo
Tragando do cigarro a parte que não traguei da tua alma
Enquanto te sugava, e te roubava o ar.
Bebendo do copo o resto de vinho quente
Menos quente que teu sexo, e menos molhado também.
Porque tudo do seu corpo já me percorreu
Seja em correntezas de suor, ou em vergões.
Seja em rastros de saliva com seu sabor e minha dor
E tudo do meu corpo já entrou em ti
Seja com minha língua sedenta de beijos
Em bocas variadas, com vagar ou com força bruta
Seja com minhas mãos, ou meu olhar em tuas curvas.
Também, quando te percorri em pensamento eu sorri
Porque isso é apenas um resto nojento e podre
Mas é esse cheiro que a gente respira
Assim como ainda suo teu cansaço, você ainda descansa meu ar.
E será assim, como a libido do mel.
O teu sorriso líquido nunca se solidificou em mim
Mas seu sexo evaporou nas gotas que desperdiçamos
E agora nem o gelo desse efeito entorpecente
Nem o fogo que sinto em meus olhos vermelhos
Nada disso, nem tudo isso, nem nada de nada.
Vai queimar ou congelar nada de você em mim
Não queima porque fogo é o tempo que passou
E gelo é o que amaldiçoa pra eternidade
Maldição de derreter pra sempre em teu fogo
Maldição de pra sempre, que já passou e não se vai
Talvez não combine com nada de antes mas, ouso dizer
Que minhas mãos entrelaçam as suas e se torna uma
E haverá sempre um resto meio fétido de nós
Nem que seja um abraço na memória ou um último sorriso dado
Meu amor petrificado morto tão precoce
Ainda que não combine com nada
Ainda que se saliente de tudo o antes dito
Eu tenho por você, algo que me aperta a vida, me mata,
E se contradiz fazendo pulsar, meu coração e meu sexo,
Que forma é essa doente insana, podre e morta de sentir?
Que momento, que segundo me trouxe essa certeza?
Em que sorriso seu, ou em que olhar deixei cair minha sanidade?
Apenas você me disse: Eu te amo, e eu disse: Idem!
Sorri e olhei pro lado, largamos as mãos e eu morri um pedaço.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

What If?


Se te considerar só mais uma paixão
Nunca amei ninguém, nunca vou amar.
Indiferente pra mim, começo ou fim.
Tanto fez se perdi ou ganhei
Qualquer forma tô aqui!
Nadei nas lágrimas que derramei
Dancei nas fossas que escutei
Acho que amor é luxo ou lixo
Tô sem nada pra fazer, tempo pra perder.
Vou amar alguém, depois desamo.
Se me considerar mais um na multidão
Vou saber que alguém um dia vai errar
Indiferente pra mim, começo ou fim.
Tanto fez se li ou escrevi
As palavras não estão mais aqui
Deslizei no gelo do teu olhar
Caí, te derreti, pode chorar agora.
Tuas lágrimas poluídas de adeus
Quer fumar comigo, senta aqui.
Vou enganar alguém, depois desengano.
Porque ilusão eterna é morte
E já não estamos assim tão fortes
Se considerar seu, o mundo.
Não vai ver ninguém, nem enxergar.
Indiferente pra mim, começo ou fim.
Tanto fez se serviu ou se reinou
Qualquer forma, se enganou.
Comeu tudo o que plantou
Não amou ninguém, que pena.
Só mandou em quem criou

Poeminha boboca.


Só pra constar em sua lista de conquistas
Que aumenta a cada ano
Vou te dar uma pista
Eu te amo

Quantas peças de sua coleção
Perderam a razão
Quantas são repetidas
Você troca ou não

Você não presta, e eu amo tudo que faz mal.
Você me infesta, e eu acho isso normal.
Me empresta seu amor banal
E só me resta baixo astral

Nessa festa de amor carnal
Na orgia de suas fantasias
Sua alergia de minhas poesias
Você em luxúria e pecado
Eu quero amar e ser amado